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COVID-19: A corrida pelo tratamento

  • Letícia Oliveira e Vladimir Pedro
  • 24 de mar. de 2020
  • 2 min de leitura

No dia 31 de dezembro de 2019 notificou-se na Província de Wuhan, a “Chicago da China”, o surgimento do novo coronavírus (SARS-Cov-2) — integrante do gênero betacoronavirus como o SARS-CoV e MERS-CoV — que em pouco tempo alastrou-se da China para todo o mundo dando início a pandemia. Com ela surge um grande desafio de saúde pública: um tratamento capaz de tratar a humanidade.

Desenvolver um medicamento para tratar uma doença nova leva tempo. Nos Estados Unidos, por exemplo, são 12 anos para que um medicamento saia da fase experimental e seja alocado nas prateleiras de drogarias. Somente cinco dentre 5000 ‘fármacos candidatos’ entram nos testes pré-clínicos e avançam para testes humanos. E apenas um desses cinco será aprovado, ou seja, a probabilidade de um novo medicamento chegar ao mercado é 1 em 5000.


Na maioria dos países, esse processo é controlado por uma agência reguladora governamental; no Brasil, ele é regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) seguindo a Política Vigente para a Regulamentação de Medicamentos no Brasil. Contudo, diante da previsão de milhões de mortes, em conjunto com as pesquisas e buscas por um novo medicamento, é essencial o combate rápido e, portanto, encontrar medicamentos já disponíveis que tenham eficácia no combate do coronavírus.


É assim que a equipe de 22 laboratórios do Quantitative Biosciences Institute (QBI), da Universidade da Califórnia, em São Francisco, está trabalhando. Esses cientistas estudam como o vírus ataca a célula, local que sua reprodução ocorre, tornando-se verdadeiras fábricas de vírus. As células pulmonares são as que possuem o maior número de proteínas que facilitam a entrada do SARS-Cov-2 e consequentemente as mais afetadas, causando os sintomas respiratórios já amplamente descritos. Eles descrevem cerca de 30 proteínas chaves utilizadas para essa entrada nas células humanas e mais de 20.000 proteínas utilizadas para suas funções vitais.


Nessa perspectiva, medicamentos que interagem com as proteínas virais podem impedir sua entrada na célula ou sua replicação. Contudo, a longo prazo, essa abordagem é insuficiente devido às rápidas mudanças desses microrganismos. Por isso, a equipe busca um tratamento mais duradouro que impeça a interação da proteína viral com uma proteína humana fundamental. Afinal, uma vez que a célula muda menos, quando comparada ao vírus, surge uma vantagem sobre a desativação viral que poderá funcionar para outras doenças emergentes.


Como é essa abordagem?


Primeiramente, os cientistas descobriram e listaram quais as proteínas celulares que se conectam ao vírus e permitem seu avanço. Em seguida, identificaram compostos que não fossem tóxicos às pessoas e que se ligam aos alvos, impedindo a entrada do vírus e sua replicação. Então, de maneira rápida e gratuita, utilizaram um banco de dados dos medicamentos já utilizados e que interagem com as proteínas listadas. Dentre estes, 10 foram eleitos - por exemplo, o chamado JQ1 contra o câncer - e encaminhados para teste em 13 de março no Instituto Pasteur (Paris) e no Monte Sinai (Nova York).


Enquanto os resultados não saem, o grupo continua buscando proteínas humanas adicionais que o coronavírus também possa utilizar para se ligar e a corrida para busca de um tratamento rápido e eficaz continua. O empenho de equipes científicas é essencial para desarmar seu mais novo e atual inimigo.


Referências:

Acessado em 23/03/2020 às 20:00

Acessado em 23/03/2020 às 20:00

Acessado em 23/03/2020 às 20:00

Acessado em 23/03/2020 às 20:00


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